Com os preços caindo eu compro ou vendo?

Estes dias ouvindo um podcast, o âncora comentava que achava estranho dizer-se que com os preços do ouro em queda era a hora de comprar, enquanto outros diriam que era hora de vender. Não é estranho. A resposta à esta questão que entitula este post centra-se no conceito de unidade de medida da carteira de investimento, ou o seu portfolio. Aliás, escolhemos este como primeiro assunto de nossas postagens pela relevância e recorrência que o mesmo tem.
Existem apenas dois pontos de vista desde os quais o investidor enxerga seu portfolio. O primeiro é do acumulador, no inglês buy&holder. Ele busca construir um patrimônio a longo prazo, durante o qual acumula ativos que tenha selecionado, a ocasiões que lhe sejam convenientes. O segundo ponto de vista é do trader. Ele tem de pouco a nenhum interesse no que compra relativamente a quanto se interessa pela expectativa de valorização dentro de um período que pode variar de alguns minutos a poucos meses. Não existe ponto de vista melhor, mas existe um que é mais adequado a seu perfil. É possível ter-se sucesso em cada um deles. O maior ícone contemporâneo do buy&holder é Warren Buffet, e do trader, George Soros.
A unidade de medida do buy&holder é a quantia de ativos que acumula. Caso seu portfolio seja composto de metais preciosos (ouro e prata, principalmente), por exemplo, ele o mensurará em gramas, ou onças. Saber qual o valor atual (ou corrente) de seu portfolio em Reais não afeta sua percepção do investimento, se foi uma boa decisão optar por metais preciosos ou não. Seus critérios estão no longo prazo, pois em geral visa acumular uma quantidade definida a priori.
O trader, por sua vez, tem como unidade de medida o valor de liquidação de sua carteira na moeda corrente. Caso este mesmo trader detenha o mesmo portfolio de metais preciosos, estará atento ao valor que receberia em Reais caso vendesse integralmente seu portfolio a preço de mercado. Ele monitora este valor e avalia se a variação do mesmo ao longo do tempo lhe parece satisfatória. Caso negativo, liquida sua posição, ou seja, desfaz-se de seu portfolio e busca novas oportunidades no mercado. Em geral esta avaliação é feita pela comparação com uma referência ou benchmark. Em geral é a taxa de rendimento a risco zero somado a um prêmio pelo risco. Por exemplo, Selic + 10%a.a.
Um caso interessante é quando o portfolio é composto por moedas estrangeiras. Consideremos, o caso em que o portfolio seja composto exclusivamente de Euros. O buy&holder mensurará a quantia de euros que detém, o que corresponde neste caso ao valor de sua carteira em euros. O trader, de posse deste mesmo portfolio, mensurará o valor de sua carteira em Reais, ou seja, atualizará o valor em Reais da quantidade de Euros que detém pela cotação corrente. Isto corresponde a quanto receberia em Reais pelos euros que possui, hoje.
Agora revisitamos e respondemos a pergunta inicial. Se meu portfolio é composto de ouro e o preço cai, eu compro ou vendo? Um investidor com o perfil buy&holder estará inclinado a comprar, aumentando o tamanho de sua carteira. Um trader pode sentir-se desapontado com o desempenho relativo do metal e buscar a liquidação (venda) do todo ou parte de sua carteira abrindo espaço para melhores oportunidades de valorização.
Neste post, falamos dos dois pontos de vista dos quais enxerga-se seus investimentos; se eu os fosse liquidar hoje quanto receberia, trader, ou quanto ainda preciso acumular para atingir meus objetivos, buy&holder. Em um outro post pretendemos detalhar o perfil do trader e do buy&holder, suas características e hábitos. Você poderá ver com qual deles você mais se identifica. Até lá.

bender

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analista gráfico de ativos financeiros. ex-cliente de Home Broker para ações e seus derivativos. desenvolvedor de algoritmos para previsão de séries temporais financeiras. administrador deste forum.
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