Até quando sobe o mercado?

Tem sido surpreendente o desempenho do mercado de ações nos últimos anos. Os EUA estão no maior ciclo de expansão registrado, e o mercado triplicou desde o último fundo na crise de 2008. Cada novo record trouxe mais céticos ao mercado, a tal ponto que estes quase não mais se encontram. O mercado continuará assim em 2018?
Reformulamos esta pergunta da seguinte forma, estamos vivendo uma bolha ou esta expansão está fundamentada em um desempenho econômico satisfatório? Esta pergunta é mais fácil de responder. O mercado de ações tem caráter antecipativo, então ele naturalmente se desprende dos resultados e precifica no ativo a perspectiva futura que tem deste. Por isso os resultados corrigem sobre compra, exagero otimista, ou sobre venda. Os resultados vêm abaixo das expectativas, em função do desemprego elevado nos EUA. Os índices oficiais desconsideram pessoas que nos últimos 30 dias não procuraram emprego. Se um trabalhador está empregado meio turnoem dois estabelecimentos, contabilza-se isso como dois empregos. Corrigindo estas distorções, a taxa de fato de desemprego é algumas vezes maior. O principal driver do PIB americano é o consumo, e o varejo tem sofrido com diversas falências e fechamentos de lojas nos EUA. Finalmente o desempenho americano reflete-se aqui no Brasil.
Nossa visão é que este é o ano em que a trajetória altista dos mercados muda de direção. As bolsas de valores devem sofrer mais com as quedas pelo descompasso que existe entre lucro e preço por ação. O mercado de crédito deve retrair-se com respondendo à inadimplência criada pelo menor consumo no varejo, que desestimula a produção e assim contamina a cadeia produtiva e a geração de caixa das empresas. O dólar tem se depreciado em relação a outras moedas, tornando-a menos interessante como reserva de divisas para outros paises, em especial a China, que vem diversificando seu portfolio ao longo da última década.
Apesar de nossa perspectiva negativa, o mercado deve seguir em alta, pois nenhum destes fatores é novidade. No entanto, triggers como o rebaixamento dos títulos de dívida pelo Standard&Poors, o pedido de falência de uma empresa de grande porte, ou o reingresso em uma recessão podem reverter o momento altista e iniciar uma correção mais expressiva.
Neste cenário é importante ter seu portfolio ancorado em ativos de liquidez. Isto permitindo uma realocação rápida de investimento, e uma exposição menor à correção que o mercado deve experimentar.

bender

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analista gráfico de ativos financeiros. ex-cliente de Home Broker para ações e seus derivativos. desenvolvedor de algoritmos para previsão de séries temporais financeiras. administrador deste forum.
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